domingo, 19 de abril de 2015

Todo dia era dia de Indio

Rua da Matriz

A Rua da Matriz, em Botafogo, está localizada no coração do bairro entre as ruas São Clemente e Voluntários da Pátria. Ela sempre me foi familiar porque na São Clemente tem o morro Dona Marta e na na Voluntários, a poderosa e linda Igreja da Matriz. 
Há pouco mais de um ano, essa pacata rua passou a fazer parte da minha vida. Passo por ela quase todos os dias. E quando passamos muitas vezes pelo mesmo lugar, a observação é inevitável.
Quando li "Vida de Cinema", de Cacá Diegues, me deliciei com parte da história de sua juventude passada na Rua da Matriz. Cacá, Arnaldo Jabor, David Neves,... o inicio do cinema novo se deu ali, naquelas casas, muros e calçadas.

Educação: são cinco escolas na rua.
1. Escola Adventista ( faz parte da igreja Adventista do Sétimo dia)
2. Escola Municipal México. Boa parte de seus alunos são as crianças da comunidade do morro Dona Marta.
3. The British School - Onde estudam os filhos da classe alta. O número de babás, seguranças e motoristas na calçada é incontável!
4. Colégio QI - um curso para o ensino médio e preparatório para o vestibular. 
5. IESP - Instituto de Estudos Sociais e Políticos, da UERJ, desenvolve pesquisas para mestrado e pós graduação.

Religião: também contei cinco.
1. Igreja Adventista do Sétimo Dia
2. Igreja Nova Vida
3. Igreja Internacional da Graça de Deus
4. Igreja da Matriz
5. Tenda dos Irmãos do Oriente

Em seu longo quarteirão temos ainda casas antigas, vilas, prédios novos e modernos, construções, produtoras, banca de jornal, baleiros, pipoqueiros.... e sem falar que em suas pontas temos: posto de gasolina com loja e banco 24 horas, lanchonete, petshop, salão de beleza, farmácia e um tradicional boteco.
Ou seja, dá para ser feliz na rua da Matriz!

Andando por aí





 


Livros


1. Dora Bruder, do francês Patrick Modiano, ganhador do premio Nobel de Literatura de 2014, é um livro inspirado em um anúncio do jornal Paris Soir, de 1941, em que os pais da jovem Dora Bruder pedem ajuda para encontrar a filha adolescente que está desaparecida
Patrick Modiano, no final dos anos 80, resolveu fazer uma pesquisa pessoal para esclarecer o acontecido. O livro é de 1998, mas chegou por aqui com edição de 2014.
Uma boa leitura.



2. Floresta Encantada, da ilustradora escocesa Johanna Basford, é um inusitado sucesso de vendas em livros de colorir para adultos e antiestresse. O primeiro, Jardim Secreto, vendeu mais de 1,4 milhões de exemplares! Vai explicar....
Sempre adorei colorir, até porque não sei desenhar e colorir é a forma de me expressar com as cores e os lápis que tanto gosto.
Ganhei de presente da minha filha e estou adorando pintar, criar e relaxar nos momentos livres.
Vale a dica.

Exposições


O Centro Cultural do Banco do Brasil ( CCBB) do Rio de Janeiro, é sempre uma boa dica de exposições. Sejam as que ficamos horas na fila para conseguir entrar, ou aquelas que não fazem tanto sucesso de público e de mídia, mas que estão lá, esperando uma visita. E o melhor, é sempre gratuito. 
Uma administração que admiro.

"Brecher - pintura e permanência" 
Uma bela exposição de óleo sobre tela, do pintor mineiro vivo Carlos Bracher, com um total de 86 obras em todo o segundo andar do CCBB. A mostra conta ainda com um video documentário sobre o artista.
No 3º andar, "Se liga" uma exposição lúdica, moderna, multimídia, interativa e interessantíssima! 
São mais de 10 artistas expondo conteúdos científicos. 
Imperdível.



domingo, 1 de março de 2015

Parabéns Rio de Janeiro.

 
Lindo.
Cidade maravilha da beleza e do caos.
450 anos!

Cena carioca


Fui levar uma bolsa para consertar em um antigo sapateiro no Posto Seis. O Posto Seis é aquele lugar de encontro entre Copacabana e Ipanema e que tem as características dos dois bairros.
Quando cheguei, tinha um travesti enorme na minha frente para ser atendido. 
O sapateiro é na beira da calçada e o calor era daqueles dias de 40º com sensação térmica de 50º. 
E eu no sol, sem cobertura.
Ele foi atendido e eu ali, pasma, observando aquela figura de gestos tão naturais.
Tirou de dentro da sacola que carregava, dois pares de botas de saltos altíssimos. Uma preta e outra prateada, certamente parte de seus instrumentos de trabalho. 
Lembrei do filme "Uma linda Mulher", de Garry Marshall, onde a personagem de Julia Roberts prende o fecho de sua bota de serviço com um alfinete de fralda.
Ele não. Levou ao sapateiro.
Além de alto, era forte, musculoso e ruivo. Seus cabelos pintados e escovados batiam na altura do ombro. E seu vestido, meio de chita, era grudado ao corpo sem pelo algum.
Eu já estava quase em delírio com aquele sol na minha cabeça quando ele virou-se para trás e estendeu a mão para que eu ficasse ao seu lado na pontinha de sombra do toldo do sapateiro.
Agradeci com um sorriso meio sem graça e obedeci aceitando sua mão.
A voz era grave e decidida. A mão era grossa e áspera.
Rapidamente resolveu tudo sobre o que desejava fazer. Despediu-se do sapateiro combinando voltar em dois dias e jamais olhou novamente para mim.
Chegou a minha vez e o meu desejo era comentar alguma coisa sobre aquela cena com o sapateiro, que nada falou. Fiquei quieta e pedi o meu serviço.
O boteco ao lado ainda olhava e comentava a presença daquele homem e mulher andando tranquilamente pelas ruas da cidade.
Esse é o Rio de Janeiro.
Rio 450 anos.


Tsuru


Tenho uma amiga que faz origami como ninguém. Ela tem a delicadeza e a perfeição necessárias para a confecção dos animais e flores de papel.  
Tenho alguns pendurados em minha casa. Eles transmitem paz e beleza.
O pássaro é o mais comum e o mais bonito. 
Tsuru é o seu nome, uma ave da família das cegonhas.
Diz a lenda japonesa que aquele que fizesse mil tsurus de origami teria seu pedido atendido pelos deuses.
Uma menina nascida em Hiroshima, Sadako Sazaki, tinha 2 anos na época da explosão da bomba. Ela e sua família sobreviveram, mesmo tendo sido encharcados pela chuva negra - a horrorosa chuva radioativa.
Mas aos 12 anos, Sadako foi diagnosticada com leucemia, na época conhecida como a 'doença da bomba". Foi lhe dado 1 ano de vida.
Chizuko Hamamoto, amiga de Sadako foi visitá-la no hospital e a presenteou com um origami do Tsuru e lhe contou a história dos mil pássaros. 
Sadako decidiu confeccionar os pássaros para pedir aos deuses a sua recuperação.
Mas conforme o tempo ia passando, a menina ia ficando cada vez mais fraca e debilitada e acabou compreendendo que a sua doença era fruto de uma guerra. Mudou o seu pedido aos deuses e pediu paz para a humanidade e que nenhuma criança sofresse os horrores de uma guerra. 
Sadako morreu antes de completar os mil tsurus. Ela confeccionou 644 e seus amigos, sensibilizados com sua história, confeccionaram os faltantes para que fossem enterrados junto com ela. 
Por conta dessa triste história, foi criada uma associação e um monumento em homenagem à Sadako e a todas as crianças mortas na guerra. "Monumento das crianças à paz", mais conhecido como a Torre dos Tsurus, no Parque da Paz, em Nagazaki.
Todos os anos, milhares de escolas do Japão enviam Tsurus de papel colorido para o Monumento, onde está escrito:
"Esse é o nosso grito, essa é a nossa oração: Paz no mundo".

Flores e Hortaliças













Oscar

A cerimônia do Oscar, em Los Angeles, foi muito comentada por conta dos discursos políticos da premiada atriz coadjuvante Patricia Arquette  e do diretor mexicano, Alejandro González Iñárritu. 
Lady Gaga, quem diria, caiu no gosto popular ao cantar lindamente as maravilhosas canções de A Noviça Rebelde. Mostrou para o mundo a sua voz sem precisar de carne crua pelo corpo ou qualquer outro artifício bizarro. Parecia uma barbie.
Com tapete vermelho, musicais, homenagens, desfiles de grifes, jóias e cafonices, o melhor do Oscar são os filmes que estão em cartaz pela cidade e as rodas de conversas com amigos sobre as premiações ou não premiações.
Tem de tudo e para todos os gostos. 
Para mim cinema ainda é a melhor diversão. 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Água


O bem mais precioso.
Economize.

Cássia

Era 1994 ou 1995, e eu estava em um almoço com família e amigos em um daqueles restaurantes na beira da praia de Grumari. Não era verão, mas tinha um pouco de sol em uma tarde fresca e amena.
Enquanto a comida não chegava, fui dar uma volta na areia para distrair minha filha com um ano e pouco na época e que não parava quieta.
Quando nos aproximamos da beira do mar, tinha um menino brincando na areia com baldinhos e pazinhas e, imediatamente, minha filha soltou das minhas mãos e foi engatinhando até ele. Fui atrás dela e quando me aproximei, a mãe ao lado do menino, sentada na cadeira de praia lendo um livro, era a Cassia Eller.
Cumprimentei, ela sorriu e soltou o livro para me dar atenção. 
Os dois já estavam 'melhores' amigos na areia.
A nossa rápida conversa foi de mães quando se encontram. As crianças eram do mesmo mês e do mesmo ano. Rimos da coincidência e talvez por isso nunca mais esqueci do Chicão e sempre leio o que sai sobre ele na mídia. Uma trajetória totalmente diferente da minha filha.
Me chamaram da varanda pois a comida estava sendo servida. Nos despedimos com um sorriso no rosto e a tristeza das crianças que não iriam mais brincar juntas.
Voltei para a mesa toda feliz contando a minha experiência. Todos ficaram olhando para a praia, mas logo em seguida eles foram embora.
Tive a oportunidade de assistir dois shows de Cássia;  um no Canecão e o outro no Rock in Rio.
Por conta do documentário Cássia Eller, de Paulo Henrique Fontenelle, em cartaz na cidade e que ainda não assisti, lembrei desse gostoso episódio da minha vida. 
Uma Cássia mulher, mãe e tão diferente daquela 'fera' no palco.
Chorei quando ela morreu tão prematuramente. 
Cássia Eller era uma força da natureza. 
Linda.
Louca.