domingo, 31 de maio de 2009

Simonal - ninguém sabe o duro que dei


O filme de Cláudio Manoel, Micael Langer e Cavito Leal é um documentário essencial.
Precisava ser feito.
Precisava ser discutido este assunto.
Ele foi ou não dedo-duro na ditadura militar?
O filme é imparcial, tire voce suas próprias conclusões.

Mas o grande mérito do filme é a genialidade do artista. Que suingue ele tinha! e a voz!
É emocionante vê-lo embalando platéias e cantando músicas que sabemos cantar de cor. Imagens de arquivo incríveis estão no filme para nosso deleite.
Na época do sucesso e também da derrota, eu era criança. A única coisa que eu sabia é que minha irmã mais velha e sua turma, ouviam e dançavam Simonal.

Ela tinha um MUG e seus lps.
Ver o filme hoje, depois que a gente cresce e ouve falar em toda essa história que ele se meteu, é muito interessante pois nos faz refletir sobre a barra pesada da ditaura e todas as suas cruéis consequências.
Uma sala de cinema cheia, emocionada e apaludindo no final!
Um bom papo para depois da sessão.
O filme está em cartaz em vários cinemas na cidade.

sábado, 30 de maio de 2009

O badalo dos sinos


Quando eu tinha 21 anos, frequentei durante muito tempo uma cidadezinha acolhedora no interior de Minas Gerais. Na mesma rua da minha casa, lá no final, havia uma igreja. A Igreja da Matriz. Grande, linda, verde.
Todos os dias às 7 horas da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde os sinos soavam fortes que ecoavam dentro do peito.

Mas era o badalo das 6 da tarde que mais me emocionava. Ele vinha acompanhado de uma ave-maria. Eu achava que eles eram os mais fortes, os mais altos e os mais poderosos. As vezes eu até chorava quando eles tocavam. este som me remetia a algum lugar do passado que nem eu mesma sei.

Anos depois no Mont Saint-Michel, na Normandia, eu vivi essa experiência dentro de uma igreja de Monges Beneditinos. Quando os sinos começaram a tocar eu caí em prantos pois a energia que circundava naquele momento era muito grande e a emoção transbordou pelos meus olhos e poros. Era a sensação do tal lugar do passado que eu nunca soube explicar.

Dez anos depois, em uma segunda-feira, eu passava em frente à Igreja Nossa Senhora da paz em Ipanema e os sinos começaram a tocar. Fiquei paralisada no meio da calçada. Virei estátua. Apenas pulsando, sentindo e ouvindo. Eram 6 da tarde ( os mais altos!).
Não me lembro de ter ouvido os sinos dessa Igreja tocando em alguma outra vez. Fui inundada por uma felicidade que não se explica. Um sentimento delicioso e uma paz infinita.

E, na quarta-feira da mesma semana fui visitar uma amiga na Rua Barão de Ipanema, em Copacabana e aconteceu de novo. Eram 6 da tarde e os sinos da Igreja de São Paulo começaram a tocar. Fiquei novamente paralisada pensando o que será que isso quer dizer? Na mesma semana dois badalos de sino às 6 da tarde, na cidade grande depois de tantos anos!?!?

Descobri que deve ser uma tal de felicidade batendo na porta, ou no ouvidos.
A vida é feita de momentos simples e especiais e este para mim é um deles e o que eu quero agora é poder ouvir badalos tocando no meu peito sempre que possível.

Vamos voar com o rei pelo Rio em 1967



Hamlet


Wagner Moura é um dos maiores atores desta nova geração. Já nos demonstrou em seus inúmeros e marcantes personagens no cinema, na tv e no teatro.
Interpretar Hamlet, de Shakespeare, é um desafio na carreira de qualquer ator e o Hamlet, de Wagner, tem uma força dramática extraordinária em que é ao mesmo tempo doce e atormentado, conseguindo equilibrar a razão e a emoção em uma combinação perfeita.
O Teatro Oi Casa Grande lotado e em silêncio sepulcral é de arrepiar.
A temporada está se encerrando e depois teremos uma outra temporada, com preços populares. Oba!
A montagem do espetáculo tem um grande elenco e conta com a precisa direção de Aderbal Freire, que consegue nos deixar grudados na cadeira.

"Estar pronto é tudo". Hamlet


sábado, 23 de maio de 2009

Fernando Pessoa


Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me
de que sou sentimental, mas reconheço, ao medir-me,
que tudo isso é pensamento, que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida
e outra vida que é pensada,
e a única vida que temos,
é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada.
Qual porém que é a verdadeira e qual errada,
ninguém nos saberá explicar
e vivemos de maneira que a vida que a gente tem
é a que tem que pensar.

Veja o Disco Voador

O artista americano contemporâneo Peter Coffin, especializado em intervenções urbanas, fará hoje à noite uma exibição de sua obra U.F.O. que sobrevoará toda a orla do Rio.
Durante o vôo do Disco Voador ( que mede 7 metros de diâmetro), serão prejetados desenhos e símbolos criados pelo artista.

Como o dia está lindo, provavelmente a noite também será especial.

Este projeto foi apresentado pela primeira vez em junho de 2008 em uma cidade na Polônia.
O Globo on line está fazendo uma promoção para as melhores imagens feitas durante o vôo do disco. Aproveitem.
Um disco voador onde dentro dele não haverá ets e sim tecnologia!

www.oglobo.com.br
http://www.discovoador.art.br/

Filmes brasileiros em cartaz


Dramas/Comédias:

1. Budapeste, de Walter Carvalho
2. Adágio Sostenuto, de Pompeu Aguiar
3. Divã, de José Alvarenga Jr.
4. Olho de Boi, de Hermano Penna

Documentários:

1. Simonal - Ninguém sabe o duro que dei, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal
2. Fumando espero, de Adriana Dutra
3. Palavra (EN)cantada, de Helena Solberg
4. Paulo Gracindo - O Bem Amado, de Gracindo Jr.
5. Ôri, de Raquel Gerber

Uma safra de filmes para todos os gostos.
Consultar programação nos jornais e sites.

Petrópolis- sempre um bom passeio
















Fotos Teresa Souza e Mara Cecília

domingo, 17 de maio de 2009

OsGemeos


A arte é algo que tem que nos arrebatar de alguma maneira. Ela tem que te dizer algo de bom ou de ruim. Tem que causar algum tipo de sensação, algum tipo de emoção. Se não demonstrar nada é porque não é boa.

A exposição Vertigem dos irmãos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo em cartaz só até hoje no CCBB é daquelas que arrebata.
Arrebata através das cores que voam, dos traços precisos e principalmente na criatividade dos dois, sem falar nas surpresas de algumas obras.

Ser gêmeo um do outro já faz parte de uma similaridade muito particular entre si. Pintar e desenhar juntos deve ser uma experiência deliciosa.

Gostaria de parabenizar a esses irmãos e artistas paulistas contemporâneos, que através de sua arte, nos transporta para um mundo mágico e fantástico, mas que interage com a realidade.

São Jorge Valente - Jacinto Fábio Correa


Ah, se eu tivesse que ser um santo
eu queria ser São Jorge.
Não é poeta mas mora na lua
Não é católico mas se faz o mais apostólico dos guardiões
Não é onipresente mas se multiplica pelos lares
Nem é predileto mas passeia por meu coração brasileiro.

Toda vez que o reencontro na parede na sala
a casa vira um cinema e eu
encantado de beleza e valentia
assisto ao seu cruel mas necessário ritual
de exterminar os dragãos que nos afligem.
Não me deito sem agradecer-lhe em nome do mundo:
lenço bordado de versões à mão
enxugo o sagrado suor do seu rosto.
www.jacintocorrea.com.br

sábado, 16 de maio de 2009

Lapa


A Lapa é um antigo bairro do Rio conhecido como o berço da boemia carioca e também famoso por sua belíssima arquitetura, principalmente os Arcos, construído para ser um aqueduto na época do Brasil Colonial.
Por cima dos Arcos passa o bondinho que leva para o bairro de Santa Teresa, nossa "Montmartre Carioca".
Hoje revitalizada, a Lapa é palco para os artistas de rua, shows, Circo Voador, Fundição Progresso, bares, restaurantes, pés-sujos, antiquários, gafieiras, feiras, dança, sinuca, carnaval, blocos, samba de roda, forró, funk, rock, intervençoes artísticas, etc, etc, etc.. e a melhor parte é que todas as tribos convivem harmoniosamente.

Certeza de diversão em qualquer lugar que você escolha ir.


Dicas: Rio Scenarium, Estrela da Lapa, Mangue Seco, Pizzaria Carioca, Teatro Odisséia, Bar do Ernesto, Carioca da Gema, Clube dos Democráticos, Beco do Rato, Santo Scenarium, Lapa 40 º.....

Os Anjos de Wim Wenders


"Asas do Desejo" é um filme de Wim Wenders que tive a oportunidade de assistir no cinema na época de seu lançamento. Isso lá no final dos anos 80.
Foi um marco no cinema.
Foi um marco na minha vida.

Um filme alemão, pós-guerra, preto e branco quase o tempo todo e lento.
Um dos filmes mais belos e póeticos que tenho na lembrança.
Agora pude revê-lo na TV em companhia de minha filha adolescente. Ela não desgrudou os olhos da tela.
Alguns filmes passam. Outros ficam para sempre.
Ficam no nosso pensamento, ficam em nossas vidas.

Anjos que tomam conta dos humanos .
Anjos que não podem sentir o que sentimos,
Anjos que sofrem (!) em silêncio.

Um anjo se apaixona por uma bela trapezista. Ele quer sentir as nossas sensações, ele quer tocar o corpo, ele quer sentir o amor. Ele vai deixar de ser imortal!
Ele será um anjo caído. Ele fará a transição entre dois mundos pois assim é o seu desejo.
Wim Wenders é um poeta.
Seu depoimento no filme brasileiro "Janela da Alma", de João Jardim e Walter Carvalho, é um dos mais comoventes. Como ele usa óculos grandes e quadrados ele diz ver o mundo através daquela moldura. Fecha as imagens como se as fotografasse. É um filme sobre a visão.
Minha filha assistiu na escola "Janela da Alma" e quando comentei do depoimento do Wim Wenders ela lembrou imediatamente. Falei que era o diretor de "Asas do Desejo". Ela deu um belo sorriso.
Não precisamos falar mais nada.