domingo, 18 de maio de 2014

Filmes

Duas 'biografias' de personalidades tão distintas uma da outra estão em cartaz nos cinemas da cidade.


1. Getúlio, de João Jardim.


O filme traz para o público os últimos e angustiantes dias do presidente Getúlio Vargas antes do suicídio, em 1954, que marcou para sempre a história do Brasil.
Tony Ramos merece um Oscar por seu desempenho tão forte e afetuoso. Ele é, definitivamente, um dos maiores atores brasileiros. A curiosidade pelos acontecimentos da época, é o que mais chama a atenção para podermos ver e entender o que aconteceu de verdade. O filme é lindo, com uma produção caprichadíssima, câmera, direção de arte, fotografia, elenco, tudo. 
João Jardim fez um filme que merece ser visto.


2. Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert

Um jovem talentoso de apenas 21 anos, revoluciona a moda em Paris no ano de 1957. O ator francês Pierre Niney dá vida ao personagem com muito empenho, delicadeza e genialidade.
A crítica não gostou muito, mas eu gostei. Gostei das maravilhosas locações parisienses, dos incríveis vestidos e desfiles de moda, do elenco, do pop, da sensacional trilha sonora e da possibilidade, que só o cinema nos dá, de voltar ao tempo e viver junto a ousadia e os acontecimentos dos bastidores do mundo da moda. 
Pierre Niney arrasou como Yves Saint Laurent.

Memórias de um lugar chamado onde

Sempre gostei de Cora Rónai, jornalista que escreve no O Globo. Gosto por sua simplicidade feminina, por seus gatos, por suas viagens, por seus amigos (alguns também meus), e por sua incrível capacidade de saber TUDO sobre novas tecnologias desse nosso mundo digital. Fico pasma!
Sua mãe, Nora Rónai, de 90 anos, lançou seu delicado livro Memórias de um lugar chamado onde , em abril passado. Ela conseguiu nos transportar para todas as suas aventuras de infância, mocidade e vida adulta com muita sutileza. 
Nascida em Fiume, na Itália, que hoje faz parte da Croácia, ela nos conta com fotos, belíssimas aliás, a trajetória de sua família que depois foi para Budapeste, na Hungria, até chegar ao Brasil por conta da guerra e do nazismo.
Nora é arquiteta, nadadora e aventureira. Seu livro é um doce presente para esses dias frescos de outono. 

Plástico Bolha

Plástico Bolha é um jornal de poesia, de distribuição gratuita em 13 estados do Brasil, criado por alunos do curso de Formação de Escritor, da PUC/Rio, em 2006. 
É sempre uma surpresa folhear suas páginas e na edição de nº 34, Éber Inácio ganhou uma página que denominou "Relâmpagos". Escolhi alguns desses relâmpagos que de uma maneira ou de outra, alterou meu dia.

  • o aviãozinho só é aviãozinho por estar longe.
  • voltei a fumar só para ser proibido.
  • o melhor do exemplo é sua abreviação ex.
  • um elogio que não existe: nossa! Como você xeroca bem.
  • toda vez que entro no banco faço cara de mocinho.
  • é pela lua que a terra fica nua.
  • eu disse eu te amo justo na hora do estrondo dos trovões.

domingo, 20 de abril de 2014

Páscoa


renascimento + ressurreição

Coutinho e eu


O Museu da Imagem e do Som, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, foi o primeiro estágio que fiz na vida. Eu era universitária da faculdade de comunicação e passei por uma prova para conseguir uma das duas vagas que tinham para estagiar no Museu.
Como era lindo! Cheio de histórias e objetos que me remetiam a um  passado que não vivi.
Tive o primeiro contato com negativos de vidro, que até então eu nem sabia existir, da coleção de fotos da cidade de Augusto Malta. Um verdadeiro deslumbre.
Tinha uma sala de exibição de filmes, onde também aconteciam alguns debates, entrevistas, gravações de programas, etc. 
E foi lá que assisti "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho. Era 1984 ou 85.
Após o filme teve um debate com a presença do diretor. 
Fiquei encantada e intrigada ao mesmo tempo com o filme. Mas ao ouvir Coutinho explicar o processo de filmagem, a viagem, a equipe, as dificuldades e a simplicidade, virei sua fã para sempre.
De lá pra cá, assisti todos os documentários que ele dirigiu, sempre me surpreendendo. 
De vez em quando o via andando pelas ruas do Jardim Botânico, ou tomando café na livraria, no cinema, ou em alguma reunião.... Até que precisei usar imagens de um filme dele para um trabalho que estava fazendo. Era um filme que eu nunca tinha ouvido falar: "Faustão, o Cangaceiro do Rei", de 1971.
Telefonei, passei e-mail, reencaminhei o e mail e nada.
Até que uma tarde, eu estava entrando em uma estação do metrô quando meu telefone tocou. Um número que eu não conhecia.

- É a Teresa?
- Sim, quem é?
- É o Coutinho. Eduardo Coutinho.

Silêncio da minha parte. Um pequeno pânico se abateu sobre mim. Ele realmente me pegou de surpresa. 

- Você anda atrás de mim querendo umas fotos e umas informações, não é?
- Oi Coutinho, tudo bem? Falei meio sem graça.   

Peguei meu caderninho na bolsa e me sentei em um canto nas escadarias do metrô. Ainda bem que não era horário de rush, senão eu teria sido pisoteada...
Ele me falou tudo o que eu queria saber e ainda me forneceu informações sobre outros filmes que eu também pesquisava. Me deu autorização para usar o que precisasse.
Fiquei radiante com esse telefonema e me despedi dizendo que adorava os filmes dele. Dessa vez ele é quem ficou em silêncio.

Um ano depois nos falamos novamente por conta de uma outra produção e ele sempre solícito ao trabalho de pesquisa. 
Quando soube de sua morte, uma das mais tristes da história, chorei. Chorei de verdade, como todos os brasileiros amantes do cinema, da genialidade e da simplicidade.
Deixou uma obra linda.
Obrigada.

Filmes brasileiros em cartaz


Em tempos de Capitão América 2, com mais de 1000 cópias no país, termos tantos filmes brasileiros em cartaz na cidade, é uma verdadeira glória! Fazia tempo que isso não acontecia. Ao menos não me lembro.

Tem para todos os gostos: documentários, comédias, dramas, animação.
Tem até o Rio 2, que não é brasileiro, mas 'é como se fosse"....


1."Copa de elite", de Vitor Brandt.

2. "Julio Sumiu", de Roberto Berliner.

3. "Alemão", de José Eduardo Belmonte.

4. "Confia em mim", de Michel Thikomiroff

5. "Em busca de Iara", de Flávio Federico

6. "Hoje eu quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro

7. "S.O.S. Mulheres ao Mar", de Cris D'Amato

Basta conferir a programação e escolher o melhor filme e horário que combina com você.

Cultura em Paquetá

Tive o enorme prazer de fazer um novo lançamento do meu livro Palavra Carioca, na Casa de Artes Paquetá.

É linda, lúdica, bem estruturada e com uma equipe de trabalho muito bacana. Lá acontecem diversos eventos culturais. Basta consultar o site e conferir programação: http://www.casadeartespaqueta.org.br/


Basta se organizar, pegar a barca (com vários horários de ida e volta), para passar um agradável dia, com atividades culturais, almoço honesto, pessoas simpáticas e cerveja gelada.

Casa de Artes Paquetá











cartas


No final dos anos 80, foi lançado um dos filmes mais bonitos que assisti: Nunca Te Vi, Sempre Te Amei ( 84 Charing Cross Road), filme inglês do diretor David Hugh Jones, com Anne Bancroft e Anthony Hopkins. Duas pessoas que iniciam uma correspondência entre New York (ela) e Londres (ele). Uma escritora em busca de livros raros e ele, dono de livraria. Foram 20 anos de cartas pra lá e pra cá.

Mais de 30 anos depois assisto Lunchbox, filme indiano do diretor Ritesh Batra, em cartaz na cidade.
Imediatamente lembrei do filme inglês, pois também um casal que se corresponde de maneira inusitada. Dessa vez por conta de um erro na entrega de uma comida através do 'delivery' de Mumbai. É lindo, delicado e cheio de amor. Sem falar na beleza da gastronomia indiana.
São filmes muito diferentes mas que tratam do mesmo universo entre si: as cartas.
Essas cartas vão se transformando nas mais belas histórias de amor. Tendo ou não um final feliz. 
O filme inglês é possível encontrar em DVD e o indiano, está em cartaz.
Vale conferir.


FIM


Fernanda Torres me impressiona desde menina. Lembro perfeitamente quando ela ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, com o filme "Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor, em 1986. Ela era uma jovem e promissora atriz. 

De lá para cá foram muitos filmes, novelas, séries, peças de teatro, etc. Sua "veia" de escritora para mim apareceu com as crônicas na Vejinha/Rio, mas o livro FIM, seu primeiro romance lançado no final do ano passado, me ganhou completamente.
Tem ritmo, humor, amor, alegria e melancolia. Tem sexo, praia e velhice.
É denso, estruturado e delicioso ao mesmo tempo. Tem os ingredientes mais do que necessários para uma boa literatura. 
Recomendo.

domingo, 9 de março de 2014

5 anos


O Rio que eu piso completou 5 anos em fevereiro.
Como o tempo passa!! 
Alegria e satisfação são os maiores resultados do blog.
Sem contar a disciplina para manter, mesmo com a vida corrida, uma certa periodicidade. 
Indicação, premiação, novos amigos e comentários prazerosos são frutos do trabalho virtual que me propus a fazer.
Vida longa!

Encerrando o carnaval


"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval". 
Vinícius de Moraes

"O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonhos"
Carlos Drumond de Andrade

"Fui concebido em fevereiro. Sou fruto pleno do carnaval".
Joãozinho 30.

"Fantasia é um troço que o cara tira no Carnaval."
João Bosco

"Não existe som mais espetacular do que o de uma bateria de escola de samba na época do carnaval. Sempre mexeu comigo e faz o sangue correr mais rápido e mais quente em minhas veias. " 
Carmen Miranda.

"Naquele carnaval, pela primeira vez na vida eu teria aquilo que sempre quisera; ia ser outra que não eu mesma."
Clarice Lispector